
Caros amigos,
Lembram-se do meu poeminha Antipregão? “Não faço um poema / para vender na feira.” Pouca poesia, mas lembra um fato importante: a arte não tem preço. Por isso, pouco depois de lançar a edição impressa de meu livro O Silêncio de Deus, estou lhes oferecendo o arquivo para download. É só clicar na capa do livro logo ao lado neste blog.
Quem quiser, depois, poderá clicar na capa logo abaixo para adquirir o livro impresso. Muita gente considera que é outra coisa o objeto-livro, que é preciso tocar com as mãos, sentir o peso, até mesmo cheirar o livro. Mas é bom, primeiro, conhecer o material: não vou comprando qualquer coisa, minha casa já está atulhada de livros. Então, façam o download – são uns segundos apenas.
O Silêncio de Deus é muito importante para mim. Em 1999, tive um livro premiado com esse nome. Nesses dez anos, tenho organizado mais de dez livros com esse mesmo nome e poemas diferentes (cheguei também a reunir novos poemas com novos nomes, quase pensando tratar-se do primitivo O Silêncio de Deus). Borges dizia que publicava um livro para se livrar das inevitáveis alterações – embora acabasse fazendo alterações nos textos, mesmo depois de publicados. Prometo não fazer alterações nos poemas de O Silêncio de Deus nos próximos dez anos (embora promessas sejam feitas porque existe a possibilidade de não cumpri-las).
A Árvore e a Cruz é o primeiro poema do livro – foi publicado em jornal em 1978. Estrangeiros, Monte Branco e Pureza são anteriores. Escuna é ainda mais antigo, do tempo de O Emparedado (1975). Desses que me lembro no momento. Quero dizer que O Silêncio de Deus contém os melhores poemas que escrevi e não publiquei em livro – e sobreviveram ao tempo, esse juiz implacável.
Há alguns poemas novos – ninguém é perfeito. Isto é, apesar da minha imperfeição humana, acredito ter bastante experiência para não ter escolhido mal esses poemas.
Continuo fiel a meus temas iniciais – a beleza e o efêmero, a ânsia de permanência e a precariedade de tudo, o estranhamento, a busca de uma identidade essencial. Temas universais, afinal de contas.
Como sempre digo, não sou nada original – e também é fato que não existem idéias novas – mas as imagens podem ser novas: dependem do olhar de quem as vê e o olhar de cada homem é único. Esse único torna múltiplas as imagens. E justifica o fato de se escrever poesia ainda.
Saboreiem da minha mesa, meus irmãos.
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